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Depoimento
Sou M... sinto falta de algo...
Oi, eu estava fazendo buscas na internet sobre depressão e acabei
parando no site da Infoviva e resolvi mandar um email.
Primeiramente, vou em identificar (parcialmente, claro). Sou M. , tenho
18 anos. Sou estudante universitária e estudo também para ingressar em
outra instituição de ensino.
A princípio, eu tenho o suficiente para qualquer pessoa se sentir
confortável, ao menos eu considero que sim. Mas eu sinto falta de
algo. Não sei o que exatamente.Muito freqüentemente me sinto triste, uma vontade imensa de chorar.Sinto falta de colo, carinho mesmo.Algo fraternal.Há vezes que sinto uma tristeza tão forte, tão enraizada, que parece que ela nada mais é do que eu mesma.Não simplesmente um sentimento que está em mim.
Eu questiono sobre a vida.Pra que se está vivo? Isso é um direito ou um
dever? Dizem que se tem direito à vida. Mas se pensarmos em não querer
viver, acham um absurdo, doença ou algo do estilo. Então seria um direito do qual não se pode abrir mão? E pros que acham penosa, um dever.
Eu olho pela janela lindas paisagens, contemplo até.Sinto o mar em mim.É lindo sim, me agrada. Mas não é justificativa para permanecer aqui.Não é que não seja suficiente.Vejo como simples gosto subjetivo.Há quem não viva sem chocolate e há quem odeie.Sensações distintas do mesmo fato, mas sem que nenhuma seja a única verdade.
Às vezes, penso que vejo tudo diferente. Mas acho que não. Talvez eu
interprete diferente de uma maioria. Em momentos em que me sinto muito
angustiada, costumo me isolar. Dispenso amigos e familiares. Vontade de
ter um colinho para apenas encostar a cabeça e chorar quietinha. Não adiantria me perguntarem o porquê. Eu também não sei. Apenas sigo minhas sensações e apêlos.
Às vezes, entro na internet. Amigos perguntam como estou e eu prefiro omitir, não quero preocupações. Se eu tiver de aparecer publicamente, faço questão de mostrar sorrisos e disfarces. Uns amigos mais chegados notam, mas tento desconversar e tal.
Houve uma vez bem recentemente que não agüentei, eu queria fazer alguma
coisa. Já pensei em morrer, mas me surge a dúvida: será que eu estou
realmente certa? Eu sou capaz de jurar que sim. Mas uma questão de
precaução me deixa a dúvida: e se eu não estiver?A idéia da dúvida em apavora mais.
Odeio não conseguir decidir o que fazer.Já cheguei em janelas e em linha de metrô a pensar comigo: eu posso acabar com a dúvida agora. Eu via a luz do metrô chegando na estação, olhava as pessoas. Será que alguém poderia estar pensando o mesmo ou imaginando que alguem estaria pensando que eu poderia fazer aquilo? Certamente, a imagem ficaria para sempre na mente delas. E o metrô se aproximando e eu lendo a faixa "Perigo - 750V". É uma oportunidade. No último momento, com o vento vindo da entrada do trem na estação, eu morria de medo de nâo conseguir me controlar. Mas por que medo? Eu não sei.
Conheci, por acaso, na internet uma menina que me pareceu legal, converso sempre com ela. Essa semana resolvi falar sobre isso com ela. Para minha surpresa, ela disse que viveu momentos semelhantes e foi através de ajuda terapêutica que teve sua vida renovada.
Antes de dizer isso, ela me fez umas perguntas e, no final, falou para eu procurar ajuda. Eu poderia estar com depressão.
Eu reluto muito com essa idéia. Acho que a unica forma de me "curar" seria me convencer de que não estou pensando da maneira mais adequada. Eu estou sempre aberta a discussões, mas difícil de convencer sem um excelente argumento. Quanto a ajuda profissional, eu realmente não recorreria, pois para isso teria de enfrentar obstáculos com os quais não quero mexer. Pois não quero envolver mais pessoas além de mim mesma.
Bem..acho que escrevi bastante.Gostaria muito de ter respostas.Esse
e-mail foi criado exclusivamente para isso. Manterei em funcionamento.
Obrigada desde já,
M minina_de_byron@hotmail.com 12/01/04
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