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Depoimento
Tenho 17 anos e gostaria que opinassem...
Olá,
Meu nome é Anj@ (fictício)Tenho 17 anos e gostaria que opinassem nesse depoimento.
Eu estou com uma certa dificuldade em comunicar-me com o psicólogo e agora recentemente com a psiquiatra. São ótimos profissionais, mas eu tenho medo deles. Eu não sei bem explicar a razão deste medo, eu tenho uma aversão a este tipo de tratamento. Mas descobri que estava indo longe demais e não conseguia mais conter o que eu sentia a ponto de ser destaque, na minha escola e recentemente em campo de estágio téc em Enfermagem.
Eu conseguia dominar meus sentimentos de angústia, isolamento, tristeza, euforia. Percebi que precisava de ajuda quando comecei a ter crises de choro, um medo incontrolável e repentino que fazia-me parar com qualquer atividade e correr para um canto escuro e silencioso, de preferência longe das vistas de qualquer pessoa.
Tenho horríveis dores de cabeça que me levam ao desespero, fiz todos os exames possíveis e modernos. Nenhum constatou patologia física.
Antes de buscar ajuda de psicólogos ou psiquiatras eu era acompanhada por um neurologista e por um cardiologista, foi receitado propalonol 40mg e com a estabilidade da presão foi suspenso. Nada foi constatado nem as frequentes dores de cabeça, a hipertensão aparente e nem muito menos a terrível queda de cabelo que me desesperou e que hoje está sob controle.
Na última consulta com o neurologista ele suspendeu um fitoterápico kava kava e receitou 3 cx do tryptanol/ cloridrato de amiptrilina. Eu não consegui associar o medicamento aos meus estudos e acabei por interrompê-lo, pois sentia vergonha da minha fala pesada, a lentidão e dormia constantemente em qualquer lugar.
Minha mãe foi chamada pelo psicólogo da minha escola e orientada a me encaminhar a um outro psicólogo, só que eu ofereci resistência, eles alegaram isolamento, dificuldade de formar vínculos sociais, indiferença a pessoas alheias, labilidade emocional, senti que comecei a piorar quando minhas faltas escolares foram aumentando gradativamente e me prejudicando. Eu não conseguia ficar em sala de aula, saindo com frequência da mesma. Me irritava com tudo e com todos.
Abusei de psicotrópicos, que minha tia com distúrbio psicótico utilizava. como p.ex: rivotril, haldol, imipramina, carbamazepina, lexotan,... Sentia necessidade com os uso dos mesmos associar o álcool e me sentir alegre ou até mesmo de dormir por horas, morria de medo que alguém descobrisse e por isso não o fazia com frequência. Então notei uma desconcentração muito grande nos estudos ou até mesmo ao andar nas ruas. Por duas vezes quase mori atropelada por falta de atenção parecia que eu me desligava e não pensava em nada, nessas horas sinto minha cabeça vazia e uma melancolia.
Então no curso téc de enfermagem, fui chamada pela coordenadora e nessa entrevista ela me falou da necessidade de um profissional para acompanhar-me de perto e orientar-me. A própria me indicou e marcou uma entrevista com o psicólogo. Eu estou com uma depressão profunda notável e isso fez com que ele me encaminhasse ao psiquiatra, porém eu não concordei. Eu relutei por uns 2 a 3 meses esta idéia. Em casa eu estou insuportável e incomunicável.
Não tenho paciência para ouvir ou conversar. A uns 2 anos não sinto vontade de sair com os amigos eu furo todos encontros e acabo ficando sozinha. Nào penso em namoro a uns 2 anos desde do último que foi muito tumultuado e angustiante, que nem chamo de namoro pois não tivemos nenhum contato íntimo. Ele tinha uma paciência de jó comigo, pois nem beijá-lo eu queria.
Sentia-me mal com ele ou com qualquer outro garoto. Eu percebi que estava muito mal quando fui a um estágio na neuropsiquiatria, tive que ficar sem o uso do tryptanol e isso me levou a uma ansiedade enorme. A minha eficiência em campo de estágio foi nota 10, pois não suportava ficar parada e trabalhava direto.
Perdi a vontade de comer, meus colegas me obrigavam a parar, mas mesmo assim eu não comia mais direito estou perdendo peso facilmente. tenho um complexo por ser gorda desde de criança e sofria descriminação. Com 9 anos eu tive minha 1° crise depressiva. No estágio uma psiquiatra tentou uma aproximação, mas eu fui indiferente por medo do meu comportamento influenciar em minha avaliação.
No final do meu estágio estava angustiada e tive um excesso de ansiedade, onde eu me retirei de uma reunião, com 7 pessoas no máximo. E resolvi conversar com uma outra psiquiatra que estava cumprindo expediente no dia e expôr aqueles sentimentos. Eu sentia uma forte dor no peito, sensação de desmaio, calafrios, suava muito e achava que tinha muita gente me sentindo sufocada.
A psiquiatra me pediu que ela fizesse o meu acompanhamento, eu aceitei e ela receitou rivotril 0,5mg e fluoxetina em fase de ajuste. Suspendeu o tryptanol. E marcou nova entrevista daqui à duas semanas. Eu fiz resistência no início em buscar a juda, porque as pessoas a minha volta me chamavam de maluca, por eu ter esse comportamente diferente e me isolar das outras pessoas. Eu tenho medo do que eu sinto, ultimamente eu tenho me auto agredido com cacos de vidros, me arranhando, já pensei em suicídio, ja tentei um, mas não deu certo. Ultimamente não penso em me mata, mas em morrer e em me dar um descanço. A dificuldade de expôr essas coisas aqui escrita me atrapalham muito, eu tenho medo de falar essas coisas e a psiquiatra me internar, eu estive num campo psiquiátrico e tenho noção de como funcionam as internações voluntárias e involuntárias.
Não tenho me agredido ultimamente, estou evitando estar em situações que não consigo suportar e que me levam a essas auto agrssões. Estou com medo!! As pessoas olham para mim como se eu fosse uma maluca. Penso se já não estou maluca. Eu queria poder dizer tudo isso a eles sem medo do que vai me acontecer, tendo a garantia de que eles não vão expôr isso aos meus pais.
Tenho vergonha de mim, do que eu me tranaformei e do que meus pais vão pensar de mim. Cansei de sorrir e de me fazer feliz, coisa que eu não sou. Estou mais preocupada com a aparição de uma amiga minha que suicidou-se e que antes de se matar havia me pedido que deixasse, aquele meu namorado.E que ela o amava, nós brigamos e ela aparentou ter concordado com o que eu falei. Mas depois ela me disse que me daria o melhor presente do mundo. Faltavam 1 semana para a festa dos meus 15 anos, então ela se matou e deixou escrito para a sua família que a culpa era minha. Pois eu havia roubado o seu namorado( o rapaz q estava comigo) , eu me senti mal e a sua família me acusou por um período. Eu briguei com o meu "namorado", não conseguia estar junto dele antes e depois do acontecido não conseguia vê-lo perto de mim sem culpá-lo e me culpar também. Ultimamente tenho a visto e ela me diz que eu nunca serei feliz.
Não sei mais o que fazer, não sei como falar ao psicólogo ou psiquiatra essas coisas que vos acabo de dizer.
Receio, porfavor o que eu devo fazer. Eu estou maluca como dizem os meus colegas de escola? minhas aulas vão iniciar e não sinto - me capaz de começar os estudos.
Como devo proceder em minhas entrevistas com o psicólogo e/ou a psiquiatra? Por favor um consellho!
Qualquer palavra que me tire desta angústia, e se você pudesse me orientar quanto ao meu comportamento eu agradeceria!!
Agradeço desde de já esta ajuda de todos que lerem este depoimento!!!!
Anj@
24/02/01
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