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Depoimento
Desabafo
(Extraido
do Fórum)
Tive muitos momentos depressivos desde
meu nascimento há 34 anos. O
desentendimento entre meus pais (meu pai
é 21 anos mais velho que minha mãe)
sempre me afetaram muito.
Até o último ano do colegial tinha
crises frequentes de depressão onde
deitava por dias e dias, sem me alimentar
e chegava inclusive a me morder, como se
me ferir fosse o suficiente para avisar
deus que o que eu vinha vivendo não era
bem o que eu queria.
Aos 18 anos descobri os livros espíritas
e isso me ajudou um pouco. Entender que
tudo o que eu passava tinha um por que me
ajudou, mas não me tirou da depressão.
Meu sonho era encontrar um grande amor,
me casar (e com isso me ver longe da
minha família) e ter filhos. Três
lindos filhos era meu sonho aos 18 anos
de idade.
Entrei em duas faculdades e não terminei
nenhuma das duas. Falo, escrevo e leio em
inglês, sou formada em desenho
publicitário, mas nunca cheguei a
trabalhar na minha área.
Aí por esses anos, quando eu tinha 18,
conheci um rapaz que foi meu namorado por
2 meses e se tornou meu melhor amigo. No
fundo ele gostava de uma outra moça e eu
de outro rapaz (desde os 15 anos).
Aos 20 conheci meu marido. Namoramos por
6 anos, mas ele nunca me passou a idéia
de ter uma família. Nunca me elogiou em
nada. Era músico e queria levar isso a
sério. Eu reclamava, mas respeitava.
Nosso namoro não foi (vejo hoje) o
namoro dos meus sonhos. Nunca viajamos,
raras foram as vezes que recebi flores,
presentes dele. Essas coisas que toda
mulher romântica gosta.
Venho de uma família onde todos tem
destaque profissional. Meu pai é
jornalista, meu irmão é desembargador,
meus primos todos formados...
Eu não pensava em carreira ou
profissão. Somente em ter meu lar...
Quando meu namoro contava com 6 anos, eu
confesso que já estava cansada de
esperar por uma pessoa na qual não
sentia firmeza. Tive uma sociedade com
minhas cunhadas, que durou tempo
suficiente para me fazer perceber que a
vida não era apenas "amor".
No ano seguinte, meu então, namorado
estava mais entrosado com sua música e
cada vez mais distante de mim.
Foi quando aquele velho amigo dos
"18 anos" reapareceu em minha
vida de forma mais presente.
Eu não o amava, nem ele a mim, mas
éramos mais parecidos do que nunca nas
vontades, nos negócios e na
"química mental" que
tínhamos.
Isso nos aproximou muito. Éramos como
siameses. Não nos desgrudávamos.
Cheguei a conversar com ele que algo
estava errado, pois sentia muita vontade
de estar ao lado dele, mas ele,
apaixonado por uma outra moça,
desconversou.
Não tinha intenções sexuais com ele.
Mas num dia em que ambos estávamos
deprimidos, saímos para tomar uma
caipirinha e bater um papo e aconteceu o
que nunca deveria ter acontecido entre
nós: uma relação sexual.
Eu não podia ter filhos e isso era mais
um motivo para minhas constantes
depressões.
Porém engravidei.
Aí começou o maior inferno em que
alguém pode se meter na vida.
Engravidei do amigo, mas me casei com o
namorado.
Minha mãe sabia do fato, mas disse que
não se intrometeria, pois a escolha
deveria ser minha...
Me casei e passei 9 meses em puro
pânico, imaginando que seria
assassinada, se ele descobrisse...
Imaginava coisas horríveis. Tinha crises
de pânico muito fortes.
Quando meu filho nasceu, tudo piorou,
pois a única esperança que me restava
era que meu marido fosse o pai da
criança. Ledo engano. Era a cara de meu
amigo.
Meu marido não percebeu nada, ou fingiu
não perceber. COnfesso que achei
estranho ele se casar comigo em um
momento tão frio de nossa relação.
Me tranquei em minha casa com meu filho,
para que ninguém percebesse que ele não
tinha nada do suposto pai. Forma 6 anos
de calvário, onde me entupia de 50 mg de
diazepan por dia para poder suportar a
culpa.
Eu me culpava dia e noite. E pedia a deus
que acabasse com essa porcaria de
laboratório que ele inventou.
O pior ainda estava por vir.
Quando meu filho estava com 6 meses de
idade, meu "melhor" amigo
reapareceu.
Ele sabia que eu havia casado com essa
imensa dúvida e mesmo assim apareceu do
nada na casa de meus pais e o primeiro
ato que teve foi pegar o menino nos
braços.
Se eu fosse cardíaca, havia enfartado.
Daí para frente ele começou uma amizade
com meu marido e chegaram a ser sócios.
Eu me distanciei psicologicamente dos
dois.
Mas minha vida parecia um ato lisérgico.
A sensação que eu tinha é que eu era
uma morta-viva.
Até o ano de 98, vivemos assim.
Em 98 a empresa de meu marido faliu, e eu
só tinha uma saída: morar na casa de
minha sogra, em um bairro distante.
Fiquei com medo e preferi voltar para
casa de meus pais.
O "melhor" amigo entrou para
uma estranha seita e desapareceu do
convívio com as pessoas.
No final do ano passado contei à meu
marido toda a verdade e ele se
"re" apaixonou por mim.
Me cobra outro filho (coisa que eu quis
durante 6 anos de casamento e ele não
queria) e quer que eu viva para e por
ele.
Nos 6 anos de casada, em meio às
depressões começei estudar filosofia
por conta própria, astrologia e voltei a
escrever (coisa que faço desde os 13
anos).
É muito difícil contar toda essa
história num simples texto. Ela teria de
ser um livro para quem ler, poder
entender toda a complexidade que ela
contém. Estou apenas narrando os fatos.
No ato de nossa separação, começei
trabalhar com comunicação e não parei
mais.
Passamos pelo doloroso teste do DNA...
A avó legítima da criança ficou
sabendo da história e quis conhecer meu
filho. Fato que não permiti...
Meu filho já começa a perceber que não
é parecido com o pai...
Mas o pior disso tudo é estar novamente
com meus pais e vendo meu filho passar
por tudo o que eu passei...
Não tenho condições financeiras de
morar com meu filho e meu marido, apesar
de querer muito a volta, não conseguiu
se levantar financeiramente até hoje.
Diz que está nessa situação por que
andou com pessoas erradas. No caso, eu.
Não aguento mais as depressões e dramas
de minha mãe, nem a falta de paciência
que ela e meu pai têm para com meu
filho.
Justo ela que gostava tanto do
"melhor amigo" e o queria para
genro...
Ela implica muito com meu marido e
percebo que odiou o fato dele ter me
"perdoado".
Estou cansada dessa luta toda. Não penso
em me matar, mas juro que estou cansada e
não sei mais para que lado ir.
Tenho necessidade de trabalhar para poder
prover meu filho. Meu marido me ajuda
muito pouco e diz que enquanto não se
"levantar" não poderá
contribuir. Mas implica com meu
trabalho...
Bem, isso foi apenas um desabafo de quem
conheceu os piores momentos de depressão
em vários anos de vida e em vários
aspectos e por vários motivos.
Hoje não me considero deprimida, mas
sinto que minhas forças estão se
esvaindo...
Obrigada pela atenção.
Milena
9/10/00 |
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