Psiquiatria, Neuropsiquiatria, Psiquiatra, Terapia, Depressão, Depressão Sazonal, Demência, Alzheimer, Mental Help, cerebro, diagnosis,tratamento, doença, doenca, forum, grupos, auto ajuda, TOC, DOC, pânico, panico, panic, medicos, neurologistas, psiquiatras, distimia, envelhecimento, dementia, senilidade, neurology, brain, memoria, genetics, drugs, prevalence, stress, fatores de risco, hospice, amyloid, neurotransmissor, neurotransmissores, estrogenio, vitamin E, treatment, brain disease,memoria fraca
Depoimento
Olá, pessoal!

Após ter visitado a presente página, motivei-me ao relato das minhas experiências dolorosas por conta da depressão, assim como da minha nova abertura à vida!

Não estou certa quanto a eficácia dessa iniciativa, mas estou convicta do meu desejo de ajudar e de minha compreensão e respeito para com aqueles que, por hora, lutam, incessantemente, na busca de vencer o desalento provocado por essa doença.

Após forte impacto emocional no decorrer da segunda gravidez, ocasionado pela descoberta de traição conjugal, tive minha auto-estima esfacelada. Senti-me a última das mulheres.

A imagem que fazia do meu marido era de perfeição, fator incentivador de esforços e dedicação exclusivos, e de progressiva anulação do meu próprio SER. Assim, uma felicidade aparente tomava conta do meu suposto paraíso. Ele representava uma espécie de deus na Terra, reforçado pela imagem que sua família me passara e que eu, acriticamente, inculcava. Depois de tanto investimento, a decepção detonou minha vida. Meu castelo se desmoronou.
Vieram os sintomas: vômitos, tonturas, perturbações visuais, taquicardia, entre muitos outros.

Após o parto, visitas ao Pronto Socorro tornaram-se atividades do cotidiano. Procurei um clínico geral. Fizemos todos os exames possíveis. Do hemograma à tomografia. Nenhum achado orgânico foi encontrado. Conclusão: forte tensão emocional.

Fui encaminhada a um psiquiatra, no entanto, por conta do meu preconceito na época, abandonei a idéia de tratamento psiquiátrico. Tentei levar a situação adiante ao meu modo. Que opção infeliz! Minha tontura aumentou ao lado de um medo terrível de passar mal. A situação intensificou-se ao ponto de eu passar a depender de terceiros, inclusive para tomar banhos.
Minhas forças esvaíram-se. Fui LEVADA ao consultório de um psiquiatra.
A essa altura o mundo já havia perdido a cor e a vida transformada num verdadeiro fardo. A necessidade de isolamento tomou conta do meu ser.
Sentia-me ainda mais infeliz quando meus amigos ficavam sabendo da minha situação. Não conseguia sequer alimentar-me. Perdi 10kg. Fiquei um cadáver ambulante. Quase entrei em desespero. Pedia a Deus um câncer à continuar naquele estado deplorável de agitação interna e descontrole emocional. Minha vida perdera o sentido. Só enxergava solução, na morte.

Todas as portas pareciam fechar-se. Procurei padre, pastor, centro espírita ...enfim, todos e tudo que soavam enquanto possíveis fontes de cura. O quadro agravava-se à cada dia. Já não conseguia ficar perto dos meus filhos, na época com 1, 2 e 7 anos de idade. Evitava a participação deles naquele processo doloroso e destrutivo. Instalou-se um sentimento de impotência intensificando ainda mais os meus conflitos.

A sorte parecia correr do meu caminho. O psiquiatra receitou-me um tranqüilizante, lorax, e o quadro piorou. Fiquei mais agitada e com sensação de ver uma fita com algo fúnebre e incontrolável. Assim mesmo, continuei com esse profissional por dois meses, freqüentando sessões psicoterápicas três vezes por semana. Durante as sessões sentia um certo alívio, mas pouco tempo depois tudo retornava com a mesma intensidade.
Busquei um outro psiquiatra. Diagnóstico: depressão profunda. Fui medicada com o antidepressivo trofanil e com o tranqüilizante lexotan.

Após dois meses de tratamento, estava tão bem que pedi ao médico para iniciar a retirada dos medicamentos. Ele autorizou-me. Logo depois faleceu, vítima de acidente automobilístico. Foi outro choque, mas não desisti da luta. Através de músicas clássicas, atentando para cada nota, conseguia evitar as recaídas.

Iniciei um esforço sem precedentes para entrar em contato profundo comigo mesma e na medida que descobria minhas reais necessidades psicológicas, abandonava as minhas pseudos-necessidades, oriundas do meio social, e por mim inculcadas sem questionamentos, portanto, indigestas ao meu organismo. Através desse procedimento, gradativamente cheguei a posse do meu potencial organísmico e passei a um viver mais pleno. Descobri que não é suficiente respeitar o espaço alheio. É igualmente imprescindível a delimitação e o respeito pelo próprio espaço. Passei a me amar do jeitinho que sou, a reconhecer e aceitar minhas limitações, fraquezas e virtudes, com sentimentos positivos. Vi que todos passam por momentos difíceis e que a diferença está no modo de como cada um os administra; que ninguém é melhor ou pior; que as diferenças são conferidas em termos de habilidades pessoais e profissionais; que cada qual desenvolve seus modos próprios de "estar no mundo" de acordo com as oportunidades e com os objetivos almejados; que os temores são próprios das incertezas das nossas inevitáveis escolhas; que temos direito de errar e de ver os erros enquanto referenciais para posteriores investimentos físicos ou psíquicos, longe de considerá-los como fracasso, mesmo porque acho que o erro por si só não existe.

Continuo lutando, tendo conflitos, porque sou um ser pensante e afetivo em constante movimento. A luta faz parte do existir! Estou feliz, tentando aprimorar cada vez mais minha capacidade de amar e de aceitar a mim mesma e aos outros, dentro das suas peculiaridades!
Enfim, o sofrimento serviu para a descoberta de um potencial que até então desconhecia. Na época tinha apenas o segundo grau incompleto. Mesmo com três filhos, fui a luta e consegui concluir o terceiro grau com muita garra e amor. De lá para cá não parei mais e minha vida mudou radicalmente para melhor.

Desejo que cada um de vocês também encontrem maneiras eficazes de lidar com as dificuldades. Acredito no potencial humano, na sua capacidade de descobrir o melhor caminho para um bem viver; assim como entendo que a ajuda de um profissional é fundamental, na maioria dos casos. Vejo como valioso, paralelo ao tratamento com psicólogos e/ou psiquiatras, o contato com pessoas dispostas a compartilhar seus mundos, como se faz aqui.
Coloco-me, à disposição de todos.

Um beijo carinhoso.

Acolhedora
14/02/00